LEIA O PRÓLOGO DE LUAR DE PRATA

  O livro completo lança 25/05/2025 - Na Amazon, Kindle Unlimited e Editora Uiclap. 

  Aqui, você pode conferir com antecedência o início deste romance. Não esqueça de comentar o que achou! ;)


  Prólogo

  -Uma bruxa? -Roman perguntou em voz alta, ecoando a pergunta por toda a sala do trono. -Você quer que um de nós se case com uma bruxa?

  -Parece que você entendeu bem o que eu disse, então precisa mesmo que eu repita? -A calma do pai apenas o deixou mais irritado.

  Há muito tempo as criaturas sobrenaturais viviam separadas. Licantropes, vampiros e bruxos não dividiam mais nenhum território desde a Grande Separação, ocasionada por uma guerra que Roman não havia visto. Nem havia nascido naquele tempo. Mesmo assim, via cada povo diferente do seu como inimigo – até mesmo as fadas que nunca saíam das florestas. De vez em quando esquecia de odiar o Povo do Mar, mas só porque as sereias sabiam entretê-lo quando vinham para a terra firme. 

  Agora, sussurros vinham do Norte, dizendo que os vampiros podiam querer uma guerra para recuperar um território que diziam ser deles por direito. O rei vampiro não havia se manifestado pessoalmente, é claro, podiam ser apenas boatos. Mas se não fossem, Roman diria que o rei era um grande covarde bebedor de sangue.

  As bruxas normalmente eram neutras nos problemas políticos. Agiram como curandeiras durante a Primeira Guerra Sobrenatural. Mas, se uma guerra realmente acontecesse agora, a neutralidade não seria aceita. Ou estariam com os lobos ou com os vampiros.

  E o pai de Roman já parecia ter decidido de que lado ele as queria.

  -Precisamos delas antes que percamos a chance. -O rei disse. -Os vampiros não gostam muito de bruxas, mas sabem que elas seriam valiosas numa guerra.

  -E o senhor descobriu isso antes. -Roman alfinetou.

  -Por que está tão nervoso?

  -Porque vai me casar com uma bruxa. -O rei deu uma pequena risada.

  -Sei que é o filho mais velho, Roman. Mas eu não entregaria a delicada princesa dos bruxos nas suas mãos. Eu tenho um candidato melhor. -E olhou para Eldric, o filho mais novo.

  Roman mediu o irmão dos pés à cabeça, tentando ver o que o pai via que o deixava tão satisfeito. Não encontrou nada, então moveu uma carranca para o homem sentado na frente dele.

  -Eldric? Vai casar seu filho mais novo antes de mim?

  -O que eu posso dizer? Você assustaria a moça. -Roman ergueu uma sobrancelha.

  A maior parte dos licantropes de nascença, tanto homens quanto mulheres, eram grandes. Altura, músculos. Eram mais rápidos e mais letais que os licantropes criados através da mordida. Roman não era tão diferente do pai ou dos irmãos ainda menores que, mesmo na infância, eram grandes e fortes. Eldric parecia uma exceção. Ao lado de um humano, não haveria como diferenciar um de outro. Roman sempre suspeitou que o irmão tinha uma mãe humana, e não era filho da falecida rainha licantrope, mas gostava demais do irmão para enfiar um espinho desses em seu coração.

  -Todos nós assustaremos. -Roman retrucou. -Menos Eldric, parece que você o acha delicado o suficiente para a princesinha bruxa.

  -Isso foi um insulto? -Eldric perguntou. Não parecia realmente afetado.

  -Nosso pai o acha delicado, irmão.

  -Talvez a princesa goste disso e não de... -Fingiu observar o irmão mais velho com desaprovação. -Músculos exagerados e cicatrizes e um comportamento rude. De qualquer modo, sabe quem de nós tem charme o suficiente para essa situação.

  -Não fará diferença, porque nosso pai está lhe comprando uma noiva.

  -Não é uma compra. -O rei disse. -É um acordo. Muitos acordos são feitos com casamentos. É uma aliança duradoura.

  -Até que a morte os separe. -Roman murmurou.

  -Se não gosta das bruxas, por que está irritado? -Eldric perguntou em voz baixa, enquanto o pai se distraía com um guarda que se aproximava.

  -Não estou irritado. Você deveria estar. Vai se casar com uma mulher que pode enfeitiçá-lo enquanto dorme.

  -Não vai importar se ela enfeitiçar meu coração primeiro. -Roman revirou os olhos. 

  Por que o irmão não via como isso podia ser perigoso? Bruxas eram ardilosas e traiçoeiras. Uma delas havia amaldiçoado um homem muitos séculos antes, criando assim o primeiro vampiro a caminhar pela Terra. Elas não deviam ser subestimadas, e também não eram dignas de confiança. Seu pai estava cometendo um erro trazendo uma bruxa para dentro da segurança do castelo. Aquela mulher traria problemas, ele sabia disso.

  Os dois príncipes foram dispensados com as ordens de sumirem de vista. A princesa havia acabado de chegar com seus pais e as apresentações necessárias seriam feitas apenas no jantar do dia seguinte. Roman quase agradeceu o pai por isso, ele queria ficar o mais longe possível daqueles manipuladores de magia.

  Deixou o irmão para trás, não suportaria seus comentários tolos sobre aquele casamento. Eldric podia estar otimista, mas isso mudaria rápido quando percebesse que estava casado com uma serpente. Ele podia deixar o castelo, aumentando sua distância dos visitantes e se refugiar com alguma mulher que aceitaria algumas moedas de ouro em troca da companhia dele.

  Estava quase chegando à porta principal, quando seu olhar cruzou com uma figura feminina que não havia o notado. Ela tinha as mãos cheias de anéis cruzadas para trás, parecendo ouvir apenas em parte o que estava lhe sendo dito. A mulher diante dela estava lhe passando algumas instruções, ajeitando seu vestido preto e seu cabelo, tão preto quanto, que mais parecia uma cascata nas costas dela. Ambas entraram por uma porta antes que ele pudesse olhar mais para aquele pequeno corvo bonito. Quem era ela? Alguma dama que havia vindo com a princesa? Se fosse, então também era uma bruxa. Talvez fosse bom não tê-la visto mais de perto.

***

  -Você quer que eu acredite que não tentou espiar sua futura esposa? -Roman perguntou, caminhando ao lado de Eldric. 

  Ambos deveriam estar no castelo, fora de vista, mas nenhum dos dois acreditava que esbarraria com a realeza bruxa em uma festa de rua naquela manhã. As pessoas queriam comemorar e nem era o casamento delas que aconteceria em alguns dias. Roman sabia que era mais pelo acordo em si, e não pelo matrimônio. 

  -Eu não tentei. Nosso pai deixou bem claro que nossos caminhos não deviam se cruzar antes do jantar.

  -Talvez ele tema que estrague tudo com sua delicadeza.

  -Acha que as mulheres gostam de homens rudes?

  -Eu não sou rude. -Empurrou o irmão com um pouco de força demais e o viu cambalear enquanto tentava não cair.

  -Você inspira e expira rudeza. Qualquer princesa se veria aterrorizada diante de você.

  -Então não serviria para casar comigo. Não gostaria de uma esposa medrosa e covarde.

  -E você gostaria de algum tipo de esposa? Meretrizes não vão deixá-lo feliz para sempre.

  -Vão, enquanto eu tiver ouro para pagar.

  Ao redor deles havia música, jogos, danças e comida. As pessoas tinham vestido suas melhores roupas e pareciam alegres. A maioria devia estar feliz por não ser convocado para uma guerra iminente. Atrás dos príncipes, os poucos guardas que vieram com eles pareciam lutar contra as distrações, mas Roman sabia que eles não precisavam realmente estarem alertas. Nenhum licantrope jamais se ergueria contra a família real.

  Naquele dia, quem se ergueu foi um grupo de humanos que surgiu do nada.

  Em um piscar de olhos, algumas barracas pegavam fogo. As músicas e danças pararam, as pessoas gritaram e correram. Havia flechas voando, espadas batendo umas nas outras. A festa foi brutalmente interrompida.

  -Precisamos tirar os príncipes daqui! -Um dos guardas gritou. 

  Roman tirou a espada do cinto.

  -Não enquanto não matarmos todos esses desgraçados, não é, irmão?

  E se virou, procurando por Eldric, mas este não estava ao seu lado. Estava no chão, em uma poça de sangue, uma flecha seu peito. Roman se virou, procurando pelo culpado, mas não conseguiu encontrá-lo no meio do caos. Virou-se outra vez e viu uma figura encapuzada ao lado do corpo do irmão, a mão estendida acima do peito dele. O príncipe avançou, agarrando o pulso da pessoa, a espada encostada em seu pescoço.

  A figura ergueu a cabeça, exibindo o rosto escondido abaixo do capuz.

  -Só estou tentando ajudar.

  Era uma garota. A garota do dia anterior. A garota corvo.

  -Cuidado! -Ela gritou, apontando para algo além dele.

  Roman se virou, em tempo de bloquear com sua espada uma que tentava atingi-lo pelas costas.

  -Corra! -Gritou, sem se virar para olhá-la. Ela era um alvo fácil, parada ali com as mãos trêmulas.

  Ela se levantou e correu.

  E Roman se banhou em sangue.


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